segunda-feira, dezembro 23, 2013

Feliz Natal!

Quando o cavaleiro acordou, apenas encontrou escuridão à sua volta. Conseguia ainda sentir o cavalo debaixo de si mas, estranhamente, não lhe distinguia um movimento mínimo, nem a respiração, nem um esticão de pele para afastar as moscas, nem o pescoço maciço a virar-se todo para um lado ou para outro. Na verdade, o cavaleiro não conseguia distinguir os seus próprios movimentos, tentava lançar um braço para a frente, tinha a sensação nítida de estar a fazê-lo, mas não conseguia sentir esse gesto simples. Fazia como se estivesse a tocar o seu corpo, passava as mãos pelo peito, sabia-se a fazer esse movimento, mas nem sentia as mãos no peito, nem sentia o peito nas mãos. Chegou a pensar que ainda estava adormecido. Talvez estivesse num daqueles sonhos em que se consegue ter a consciência de estar a sonhar. Esses sonhos tornam-se mais nítidos e reais no momento em que está quase a acordar. Este pensamento acalmou o cavaleiro. Quase adormeceu de novo enquanto esperava por acordar daquele sonho. Então, pareceu-lhe que não podia adormecer dentro de um sonho e, assim, concluiu que não podia estar a sonhar. Foi então que pensou que estava morto. Essa conclusão foi um instante de pânico seguido por uma tranquilidade absoluta. Se estava morto, para quê preocupar-se? Tinha pena daquilo que gostaria de ter feito, mas tinha a memória das muitas coisas que conseguiu fazer. Habituou-se à ideia de estar morto. Depois, aos poucos, foi-se aborrecendo da morte. Não acontecia nada dentro da escuridão. Era um negro opaco, sem qualquer quebra. Nessa falta de novidades, havia apenas o som. Em muitas ocasiões, o cavaleiro dirigia toda a atenção para o som. Aquilo que ouvia deixava-o perplexo. Distinguia claramente vozes de pessoas. Mas não conseguia perceber qual era a língua que falavam. Incansável, o cavaleiro tinha percorrido todo o reino. Durante todos esses anos, nunca tinha escutado nada que se assemelhasse àquela língua. Era o outro mundo, pensava, era a morte. Seria aquela a língua dos anjos? O cavaleiro não sabia. Chegou também a pensar que poderia estar cego. Mas, se assim fosse, porque estaria montado no seu cavalo completamente suspenso? O cavaleiro tinha muitas perguntas. Tinha poucas respostas. Ia esperar. Não havia mais nada que pudesse fazer. Inquieto e imóvel, observava a escuridão.

De repente, a escuridão rasgou-se. O cavaleiro de madeira, montado no seu cavalo, chegou às mãos do menino. As cores da árvore de Natal, por trás, brilharam mais nesse momento por efeito do rosto do menino. O avô, sentado a pouca distância, dizia-lhe: calma, devagar. O avô sorria e o presente que ele próprio recebia era poder assistir ao entusiasmo com que o neto segurava no cavaleiro de madeira, imaginando-lhe aventuras. O pai estava no outro lado da sala. Talvez a cidade existisse por detrás das janelas. Ninguém poderia saber ao certo. A mãe aproximou-se do avô, seu pai, e sorriu-lhe. O menino veio a correr e mostrou-lhe os pormenores com que o cavalo e o cavaleiro tinham sido esculpidos. Nesse dia de Natal, o menino tinha quatro anos. Mais tarde, já adulto, haveria de ter uma memória, distorcida, daquelas horas. Essa seria uma memória feita de tempo morno. Adulto, quando visitava a mãe e passava pela moldura com a fotografia do avô, pendurada no corredor, sentia ainda o conforto daquela manhã, o amor. O cavaleiro de madeira acompanhou-o ao longo de toda a infância. As suas cores foram-se desbotando. Os pormenores do rosto e das mãos foram-se lascando. Adulto, segurava o cavaleiro de madeira dentro das suas mãos de homem e conseguia ver-lhe as imperfeições, mas conseguia também vê-las cobertas por tudo o que tinha descoberto naquele dia de Natal. O avô tinha conversas com a mãe e sorria ao vê-lo brincar no chão da sala. Às vezes, o pai chegava com braçadas de lenha que, ao longo das horas, ia dispondo na lareira. A felicidade existiu em todos os pormenores daquela sala. O tempo iria decantá-la pelas vidas que ali se reuniram e que ali celebraram a sua reunião.

Gostaram?, perguntou a mãe. Não percebi a última frase, disse a Patrícia. O que significa “decantá-la”?, perguntou a Inês. As gémeas estavam tão despertas depois de ouvirem a história como tinham estado antes de a começarem a ouvir. A mãe fechou o livro e, antes de explicar, puxou-lhes os cobertores sobre o peito. Então, disse-lhes: o que a última frase quer dizer é que eles estavam muito felizes por estarem juntos, que isso é que era importante e que essa felicidade continuou com eles durante todas as suas vidas. As gémeas não mexeram o olhar, continuaram a fixar a mãe. E se fechássemos a luz?, perguntou. Estava cansada. Tinha sido um dia longo. Mãe?, chamou a Inês. Sim?, disse a mãe. E a Inês fez-lhe perguntas sobre os presentes. A Patrícia também fez perguntas sobre os presentes. A mãe sempre se admirou com o modo como as gémeas tinham exactamente as mesmas perguntas para fazer. Era como se uma e outra soubessem exactamente as mesmas coisas. A mãe disse que, na manhã seguinte, quando abrissem os embrulhos, logo saberiam. Disse que, naquele momento, não valia a pena estarem a preocupar-se com isso, o melhor seria descansarem bem porque, quando acordassem, haveria muito para brincar. As gémeas conformaram-se com esta explicação e, a Patrícia primeiro, a Inês depois, fecharam os olhos. A mãe afastou-se devagar, as meias sobre a alcatifa, e, quando encostou a porta, olhou para os vultos a respirarem longamente sob o cobertor. Com cinco anos, as gémeas estavam muito crescidas. A mãe chegou à cozinha. Os azulejos brancos reflectiam a luz da lâmpada fluorescente. A mãe tirou uma caneca do armário. Era uma caneca de loiça, gasta pelas lavagens da máquina, as cores esbatidas. Do frigorífico tirou um pacote de leite. Encheu a caneca e colocou-a no micro-ondas. Ficou a olhar para ela enquanto rodava, iluminada, como uma caneca que fosse bailarina num palco de vidro. Plim: o toque demasiado alto, demasiado estridente do micro-ondas. A caneca estava a escaldar, mas o leite estava apenas morno. Mexeu-o com uma colher. Então, sentou-se numa cadeira, ao lado da pequena mesa da cozinha onde pousou o cotovelo. E assim ficou, em pijama, de meias, a beber leite morno e a olhar para o ar.


In Abraço, Quetzal Editores, 2011

Pirata







Ravelry

domingo, dezembro 22, 2013

Hoje...

Finalizei este par de meias;


Esta gola;


e um pirata... mostro depois do natal! :P



terça-feira, dezembro 10, 2013

Turtulia "Presentes: Os melhores não têm embrulho"

Venham todos à Turtulia "Presentes: Os melhores não têm embrulho" dia 18 pelas 17h no Teatro Rápido, na rua Serpa Pinto 14 - Lisboa.

Eu vou lá estar conto convosco! 


 Convite

quarta-feira, novembro 13, 2013

Sonhe




Bom dia...Só por hoje Sonhe!!!
Este e todos os outros dias são dias para Sonhar e de acreditar que os nossos Sonhos valem a pena serem Vividos!

terça-feira, novembro 12, 2013

O urso que nunca viu o Natal


John Lewis - The Bear & The Hare from Blink on Vimeo.

Haverá Papões na Escola?

Podem existir muitos “bichos maus” na sala de aula e no recreio. Cabe aos pais estarem atentos e impedirem que eles “ataquem” os seus filhos.

O dever da escola é descobrir talentos e competências, detectar fragilidades, tentar dar informações, conhecimentos. Sobretudo é o de transmitir sabedoria que seja geral e cientificamente sólida, prática, boa para todos, mas respeitando que alguns alunos podem ser melhores do que outros e que isso não deve ser transformado num juízo de valor sobre a pessoa, o seu presente ou o seu futuro, ou ser explicitamente denunciado na praça pública. Este pode ser um primeiro papão, quer relativamente aos que “menos marcam” (e podem existir tantas causas para isso…), quer quanto aos que figuram em “quadros de honra”, como se a honra de uma pessoa fosse medida pelo número de respostas certas que deu (e há tantas maneiras de as dar, nem sempre muito boas…).

Ritmos de ensino
Outro papão a tomar em consideração tem a ver com os ritmos de ensino. As longas aulas em que os alunos têm de estar quietos e calados, em que não se respeitam nem a biologia nem a psicologia das crianças ou dos adolescentes. Há professores e professores, dir-me-ão. Felizmente – respondo. Mas ainda se registam muitos casos de “ensino à moda antiga”, com professores papagueando temas e veiculando informação, como se abrir a cabeça aos alunos e enchê-la de dados fosse o passaporte para uma vida feliz. Professores que se auto-admiram e que consideram cada movimento muscular do aluno como uma falta de respeito e um desafio à sua douta sapiência. Um professor deveria convidar os alunos a espreguiçarem-se de vez em quando, a mexerem-se e até a interromper a aula para discutir, de forma animada mas orientada, em quatro minutos, os últimos resultados do futebol. Quando regressassem às matérias, os alunos iriam digerir tudo, enquanto nos casos em que têm de permanecer imóveis, feitos estátuas, ao fim de escasso tempo o cérebro “está noutra” e eles a vaguear em pensamentos mais felizes e menos seca.

Metodologias antigas
Terceiro papão: as coisas que se aprendem na escola têm de ser também aprendidas noutros lados. Em muitos lados. As fontes de informação, conhecimento e sabedoria são cada vez mais vastas, da casa à rua, passando pela televisão, internet, livros, amigos, vizinhos, casos reais, ficção... a escola não pode aparecer como a única que ensina, nem o professor terá alguma vez capacidade de ter toda a informação e sabedoria. O papel dos verdadeiros mestres é analisar e complementar a informação, partindo muito do que já se sabe, temperando com a sua experiência tudo o resto, designadamente o que é feito em casa. Combater este papão obrigará a repensar praticamente tudo e abandonar muitos dos métodos de gerações anteriores. Se quase tudo mudou na sociedade, em termos de metodologia, o ensino não deve ficar estático e tem de se adaptar às mudanças, bem como ao papel que o resto do mundo desempenha na vida e no sistema de ensino-aprendizagem da criança e do adolescente.

Competências sociais
Quarto papão: a negligência e falta de oportunidade na descoberta de talentos e competências. São demasiadas as oportunidades perdidas e para vencer este papão há que exigir uma revisão ampla dos objectivos pedagógicos da escola e dos sistemas de classificação. Há competências sociais e humanas que não têm nota – o actual sistema é ínvio porque conduz, desde o início, à conclusão de que a performance académica é a única que interessa. Basta ser bom a matemática ou a ciências, mas pode ser-se um bandido sem escrúpulos. O contrário será bastante penalizador.

Outras capacidades
Cada criança ou adolescente tem vastas competências e talentos nas áreas cultural, artística, música, teatro, pintura, escultura, literatura, numa palavra, na criatividade... em muitas escolas, temos aqui um poderoso papão: a desatenção da escola na identificação e, eventualmente, dinamização dessas capacidades. Claro que letras e números são importantes, mas não chega. Se desejamos contribuir para o desenvolvimento de pessoas livres e felizes, assertivas e solidárias, que vivem uma vida própria e relacional nas futuras décadas.

Ambiente
Outro papão que pode existir em muitas escolas chama-se mau ambiente. Mau porque, genericamente, falham os critérios mínimos em termos de ser acolhedor, feito à medida dos alunos e dos professores. Mau porque não há lugar nem oportunidade para exercitar a exploração dos limites do corpo e do físico, sem perigos mas com riscos controlados. Mau porque as armadilhas que causam acidentes de consequências graves existem. Mau porque os alunos não se sentem bem, nem felizes, condição indispensável para o sucesso educativo. Um ambiente de qualidade, a todos os níveis (ético, relacional, estético, ecológico, de segurança), fará mais pelo civismo e pela cidadania do que milhares de pregações feitas pelos adultos. É um papão primordial a que teremos de dar caça.
TPC e afins

Para lá destes papões, há outros, que podem ocorrer em determinadas circunstâncias, mas que podem lesar gravemente o percurso educativo do aluno. Por exemplo:
- no início de um novo ciclo, especialmente o 1º ano (saber estar em sala, adaptar-se a uma vida menos lúdica e com regras e métodos), o 5º ano (passagem da professora maternal e praticamente única para uma série de ‘s’tores’, passando também a batuta de maestro da professora para o próprio aluno, num edifício maior, com mais gente e colegas bastante mais velhos);
- a nutrição na escola – outro papão. Dentro dela e fora dela, aliás, a baixa qualidade do “dentro” é que faz ir procurar a baixa qualidade do “fora” (que, contudo, sempre é mais agradável e livre). O problema das cantinas, refeitórios, máquinas de venda e todo o sistema de contratualização das empresas fornecedoras deverá ser profundamente revisto, sendo ouvidos também pediatras e psicólogos, bem como especialistas em comportamento infantil e juvenil. É um papão muito grande, com consequências graves;
- exames e testes – podem ser papões. Embora devam ser “animais de respeito”, solenes e graves, não devem chegar à categoria de monstros, o que acontece pela impreparação dos alunos, a falta de ligação do teste à realidade das aulas, o objectivo único de avaliar e a falta de condições: quantos professores velam pela boa qualidade de luz, som, glicemia das crianças, fenómenos distractivos, hora do dia, sono, etc, factores estes que são determinantes para o fluxo cerebral e, consequentemente, para o resultado?;
- falta de tempo para brincar, para ser criança ou adolescente, para a intriga do intervalo. Outro papão valente. Para quando dignificar, fisicamente e em termos de duração e horários, os recreios e intervalos? É aí que se aprende, não apenas a vida, mas também as matérias académicas tratadas nos dias anteriores;
- TPC – papão abominável, que deveria ser exterminado. Os trabalhos de casa só deveriam existir ao fim-de-semana. Exigir que alunos cansados ainda tenham de estar a olhar para matéria que o cérebro ainda nem teve tempo de metabolizar, numa hora em que deveriam estar com os pais e longe das questões escolares, é puro sadismo. Deveriam ser abolidos. Já!

O primeiro dia numa nova escola

O primeiro dia numa nova escola não é fácil. É por isso conveniente os alunos conhecerem a escola com antecedência, de preferência antes mesmo das férias (se a mudança puder ser prevista antes do final do ano lectivo anterior) para verem o ambiente com os seus protagonistas.
De qualquer modo, chegar a uma escola e não saber muito bem quem são os colegas, onde são as salas de aulas e quem é quem, é sempre um momento de alguma ansiedade.

É fundamental que a recepção aos novos alunos seja feita com antecedência, provavelmente na véspera, e que no primeiro dia de aulas com todos os alunos haja uma espécie de gabinete de recepção, onde os alunos possam ir para se informar. Depois, as coisas cairão na rotina mas, a princípio, o stresse é a tónica, e a ansiedade pode fazer com que a adaptação escolar e o sucesso educativo possam ser prejudicados, bem como a integração no ecossistema escolar.

Algumas ideias:
- ponto de encontro para novos alunos;
- pequeno manual de navegação para distribuir,  que contenha desde um mapa às regras da escola e outra informação útil;
- designação de um “tutor” de um ano mais elevado, mas que não seja propriamente como os “padrinhos” nas faculdades, dado que não se trata propriamente de praxes – apenas um colega que ajude a integração.

in: Pais&Filhos

domingo, novembro 10, 2013

Eu aos olhos do meu Simão

Eu pelos olhos do meu Simão

Eu pelo olhos do meu Simão...

Já há muito tempo que queria eternizar desenhos e registos dele. Hoje foi o dia! :)

Ainda não está finalizada esta almofada!!! Penso conseguir terminar amanhã!

Aceito encomendas com desenhos queridos.

Para mais informações:
ciriloclaudia@gmail.com


Encomendas :)

Almofada Guilherme

Meias

Mais a caminho!!!

Feito pelas nossas mãos sabe sempre melhor!!!

Para além de reciclar... divertimo-nos... experimentamos... criamos momentos para toda a Vida!

Ler este artigo e seguir alguns blogues fazendo milhentas descobertas!!!

Arrumações




Experiências

quarta-feira, outubro 30, 2013

quinta-feira, outubro 24, 2013

Meias

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Meias e mais meias!!!

Já estou a aceitar encomendas para o Natal!

Dê algo único, feito por artesãos portugueses.

As 1ªs encomendas estão a começar a nascer. :)

quarta-feira, outubro 09, 2013

domingo, setembro 15, 2013

Bienal de Cerveira 2013

Ainda das férias...
Bienal de Cerveira 2013
Temática - Crise

Bienal 2013

Bienal 2013

Bienal 2013

Bienal 2013

Bienal 2013

Bienal 2013



 Bienal 2013

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Bienal 2013

terça-feira, setembro 03, 2013

Viana do Castelo

Viana do Castelo

Viana do Castelo

Viana do Castelo

E provamos as tão famosas Bolas de Berlim de Viana! :)

sábado, agosto 31, 2013

Tricotar no Montijo

Vamos Tricotar no Montijo dia 7 de setembro às 16h no café esplanada do coreto?
Bora!!!!

Monção

Monção

Monção

Monção

Um rápida visita a Monção... adorei as muralhas e a vista do rio Minho!

quinta-feira, agosto 29, 2013

Ser mãe é a tropa das mulheres

"Consigo segurar o biberão com o queixo. Foi uma questão de dias, após o bebé nascer, até descobrir umas quantas tarefas que podem ser feitas com uma só mão. Algumas com dois dedos apenas. Penso que se um dia ficar maneta, safo-me.
Ser mãe é a tropa das mulheres, com recruta mínima de três meses. Cresce a barriga, encolhe a barriga, mas não para o mesmo lugar de antes. Tira a mama, recolhe a mama. Volta a tirar a outra mama, volta a recolher. Dorme, acorda, esteriliza biberões, muda a fralda, mantém-te acordada, amamenta, lava a roupa bolsada, põe a chucha, mantém-te acordada, não-café-não, embala antes a miúda, não-sentada-não, levanta-te, embala de pé, canta, abana-te o mais que puderes, de preferência ligeiramente curvada que ela adormece mais rapidamente. Canta, improvisa: Princesa, princesa / Princesa gorila / Princesa da mãe / Gorila do pai.
Odeio biberões, não consigo lavar nem mais um sem ter vontade de o esganar. Imagino-me um dia a fazer uma fogueira de biberões e eles todos a chorarem e pedirem-me perdão.

Sim, os dias assumem tal ritmo que me questiono se terei trocado o Valdispert por um alucinogénio. O banho é o vislumbre de um oásis no deserto com um minuto para o champô, outro para o amaciador e, enquanto este repousa, ensaboo bem o corpinho pois não sei quando terei outra oportunidade. Ao todo, cerca de dois minutos: sempre se poupa na conta da água e não chega para embaciar o espelho. E na alcofa no chão, junto à porta da casa de banho, há um bebé mirone prestes a abrir a goela.
A Zara e até mesmo a loja do chinês estão fora de moda. A farda transforma-se em mamas de fora e pés descalços para não fazer barulho. A sola dos pés está negra, pois não há tempo para limpar o chão. As calças são sempre as mesmas, as únicas que me servem, bolsadas. Se tenho visitas, visto uma das três camisolinhas que acho que me ficam bem.
Por volta das duas da tarde, enfio um iogurte. De preferência com bífidos que ajudam o intestino a ser feliz e, se fizer um cocó bonito, a miúda também faz e já somos três a ser felizes. Ao jantar consigo comer mais um pouco, pois o pai já chegou a casa, mas não como necessariamente melhor, pelo que mantenho o corpinho em forma de pêra madura de Alcobaça.
Vinho não. Cerveja não. Refrigerantes não. Água. Aquela que acho que poupo no banho, é a que tenho de beber às litradas, disse-me a pediatra e o grupo de mamãs do Google.

Bem-dito cigarro em pausa de tarefas. Sabe a mim, seja lá essa quem for, mas que não é esta mamã com toda a certeza. E quanto mais a outra sou, mais me apetece saber a mim. Quer isto dizer que voltei a fumar. Entre os vários Marlboro, escolho o soft pack, não tanto pelos vinte cêntimos a menos e mais pelo conforto de alma que traz a palavra soft.
Enquanto fumo para finalmente respirar alguma inércia, eis que milhares de pensamentos sobem ao meu cérebro como espermatozoides em direcção ao óvulo. E penso. A profissão mais velha do mundo não é a de puta. É a de mãe. Todas as putas têm a sua mãe.
Ser mãe é uma profissão, é um emprego full-time sem carteira profissional, sem descontos para o Estado, sem Segurança Social. É a profissão ilegítima socialmente mais legal e que transgride todas as leis laborais. Não há horários afixados em lado nenhum, não me pagam horas extra, feriados ou subsídio de alimentação. Só vou para casa quando o trabalho estiver concluído, ou seja, daqui a uns 20 anos.
E como dizem “ajoelhou, tem de rezar”, quando a miúda dorme, o lar vira igreja, tal o silêncio que se ouve. Reconfortante. E sim, rezo, rezo muito para que se mantenha assim por mais de 15 minutos.

Neste compasso de tempo imagino-me a relaxar comodamente no sofá, a ler sob uma brisa fresquinha ou a fazer qualquer uma das dezenas de coisas que um dia achei que ia fazer durante a licença de maternidade. Imagino-me uma mamã tranquila a ocupar as pausas num jardim, num museu, na esplanada. E enquanto imagino, o tempo passou e um cocó amarelo berra na espreguiçadeira. Termina o silêncio, começa a missa e sei que vou ter de passar pela Avé Maria e pelo Pai Nosso que estais no Céu. Porque aqui não há o sétimo dia de descanso.
Quanto mais dias passam, mais gosto da minha bebé.

- Podias chamar-te Alice mas não serias tu. Alicinha é a avó e tu és a neta e como primogénita merecias um nome todinho só teu, a estrear. Podias ter todos os outros nomes do mundo que não Laura. Mas só Laura te faz Laura, minha Laura."

*Sofia Anjos, 38 anos, directora de contas numa agência de comunicação, foi mãe pela primeira vez há três meses.


Não consegui não partilhar... identifico-me em grande parte com tudo!!!

terça-feira, agosto 27, 2013

Salvador Dalí + Walt Disney = Destino

Nos Arquivos dos Estúdios Disney, encontraram um projeto de uma curta-metragem com a arte de Walt Disney e Salvador Dali. Em meados dos anos 40, a Disney combinou com Dali a promoção desta curta metragem baseada em artes surrealistas. Porém a Disney não tinha dinheiro suficiente para continuar, então só foram produzidos 17 segundos da curta original.

O sobrinho, Roy Edward Disney, encontrou esse projeto esquecido e finalizou-o com a equipa de animação dos Estúdios Disney.



domingo, agosto 18, 2013

Sock's Schoppel Wolle

Na 2ªsemana fomos visitar a Retrosaria!

Lógico que vim com um saquinho considerável de lãs e agulhas!

 Meias Schoppel Wolle

Sock's Noro Silk Garden Sock Yarn

Esta lã foi adquirida na Dotquilts. E ainda tenho uma Zauberball à espera de umas belas perneiras para o Inverno! :)

Meias Noro Silk Garden Sock Yarn

Meias Noro Silk Garden Sock Yarn

Meias Noro Silk Garden Sock Yarn

Sitios com vida sem gastar € - parte 2

Miradouro de Monte Agudo (Anjos)Onde: Rua Heliodoro Salgado, 1170 Lisboa
Como chegar: Autocarro: 712, 726, 730, 797 | Metro: Anjos (linha verde)

Miradouro Penha de FrançaOnde: Rua Marques da Silva, 1170-298 Lisboa
Como chegar:  Metro: Anjos ou Arroios (Linha verde) | Autocarro: 797

Miradouro do Torel (Avenida da Liberdade)Onde: Travessa do Torel, 1150-347 Lisboa
Como chegar: Autocarro: 723, 730, 760, 767 | Elevador do Lavra
Observações: Condicionado ao horário do Jardim: 07-19h | Visite a Esplanada do Torel | Utilize o elevador para subir ao Miradouro, o elevador mais antigo de Lisboa, junto à Igreja Paroquial de São José.

Miradouro da Nossa Senhora do Monte (Graça)Onde: Rua da Senhora do Monte, 1170-358 Lisboa
Como chegar: Elétrico: 28 |

Miradouro do Chão de Loureiro (Baixa)
Onde: Calçada Marques de Tancos 1, 1100 Lisboa
Como chegar: Autocarro: 737 | Elétrico: 28

Miradouro Santo Estevão (Alfama)
Onde: Largo de Santo Estevão, 1100-505 Lisboa
Como chegar: Autocarro: 735, 745, 759, 794 | Elétrico: 28

Miradouro Botto Machado (Campo de Santa Clara)Onde: Campo de Santa Clara, 1100-470 Lisboa
Como chegar: Autocarro: 712, 735 | Eléctrico: 28
Observações: Visite a Feira da Ladra, uma das feiras mais conhecidas de Lisboa | Horário Ter. e Sáb. Das 9h às 18h.

Miradouro da Rocha do Conde de Óbidos (Rua das Janelas Verdes)Onde: Jardim 9 de Abril
Como chegar: Autocarro:  713, 714, 727, 728, 732, 760 | Eletrico: 15, 18

Miradouro dos Montes Claros (Monsanto sul)Onde: Parque Florestal de Monsanto, 1500-389 Lisboa
Como chegar: Autocarro: 711, 714, 723, 724, 729
Observações: Também na parte sul do Parque, situam-se outros miradouros – o Miradouro da Pimenteiral e o Miradouro Keil do Amaral que não pode perder

Miradouro do Alto da Serafina (Monsanto norte)Onde: Estrada Barcal Parque Recreativo da Serafina, 1070 Lisboa
Como chegar: Autocarro: 770
Observações: A melhor maneira de se deslocar até ao Miradouro é de carro. Existem bastantes lugares de estacionamento. Também na parte norte do Parque, situam-se outros miradouros – o Miradouro Moinho das Três Cruzes e o Miradouro Moinhos do Mocho os quais não pode perder

Miradouro do Largo das Necessidades
Onde: Largo das Necessidades (Tapada das Necessidades)
Como chegar: Autocarro: 713, 714, 727, 773
Observações: Visite também o Jardim da Tapada das Necessidades. Aproveite este miradouro no seu melhor: o pôr-do-sol sobre a ponte 25 de Abril!

Sitios com vida sem gastar (ou quase) €

Portanto é possível abrir horizontes, conhecer e passear sem gastar € ou quase sem gastar!!!

Eis algumas sugestões:

Todos com entrada gratuita até às 14h aos domingos e feriados!!!

Museu Nacional de Etnologia
Onde: Avenida Ilha da Madeira (Restelo)
Como chegar: Autocarro: 714, 728, 732



Museu Nacional do Azulejo
Onde: Rua da Madre de Deus, 4 – Entre Santa Apolónia e Xabregas
Como chegar: Autocarro: 718, 728, 742, 759, 794 | Metro e Comboio de Santa Apolónia a 20m a pé do Museu


Casa Museu Anastácio Gonçalves (atelier do pintor José Malhoa)
Onde: Avenida 5 de Outubro, 6-8 – Saldanha
Como chegar: Autocarro: 707, 727, 736, 738, 744, 783, 798 | Metro: Saldanha ou Picoas (linha amarela)


Parque da Serafina (gratuito todos os dias)
Onde: Mata de Monsanto
Como chegar: Autocarro: 770
Horário: Outono / Inverno – 1 de Outubro a 31 de Março: 9h às 18h | Primavera/ Verão – 1 de Abril a 30 de Setembro: 9h às 20h


Museu Nacional de Arte Contemporânea (Museu do Chiado)
Onde: Rua Serpa Pinto, 4
Como chegar: Autocarro: 58 e 100 | Elétrico 28 | Metro: Baixa-Chiado (linha azul)


MUDE – Museu do Design e da Moda (gratuito todos os dias) 
Onde: Rua Augusta, 24
Como chegar: Autocarro: 7, 28, 36, 44, 74, 92, 706, 709, 711, 735, 745, 746, 759, 781, 782, 794 | Eléctrico 15, 18 25, 28 | Metro: Baixa-Chiado (linhas verde e azul) ou Terreiro do Paço (linha azul)
Horário: terça a domingo das 10h às 18h | Encerra à segunda


SOU – Movimento e Arte (Programação artistica) (Praticamente gratuito depende da programação)
Onde: Rua Maria, 73
Como chegar: Metro: Anjos (linha verde) | Autocarro: 12, 30, 726. Eléctrico: 28.
Horário: segunda a sábado das 12h às 24h


Curtas-Metragens (gratuitas)

Quinta Pedagógica dos Olivais (gratuito todos os dias)
Onde: Rua Cidade do Lobito, Olivais Sul
Como chegar: Autocarro: 708 e 759 | Metro: Olivais (linha vermelha)
Contacto: 218 550 930 | quinta.pedagogica@cm-lisboa.pt
Horário: Horário Inverno (Outubro a Abril) – Terça a Sexta das 9h às 17h30 | Sáb. Dom e Feriado das 10h às 17h30 | Horário Verão: Terça a Sexta das 9h às 19h e Sáb. Dom. e Feriados das 10h às 19h.

Pavilhão do Conhecimento – Ciência Viva
Onde: Alameda dos Oceanos, Lote 2.10.01 – Parque das Nações
Como chegar: Autocarro: 705, 708, 725, 728, 744, 759, 782 | Metro: Oriente (linha vermelha)
Horário: Terça a Sexta das 10h às 18h | Sáb. Dom. e feriados das 11h às 19h | Encerra à Segunda
Contacto: 218 917 100
Preço: Adulto 7€ | Criança (6 – 17) 4 €| | Criança (3-5) 3€

Aquário vasco da gama 
Onde: Rua Direita do Dafundo, Cruz Quebrada
Como chegar: Autocarro: 723, 729, 750, 751
Horário: Todos os dias das 10h às 18h
Contacto: 214 196 337 | 214 151 610
Preço: Crianças (0 aos 6): Grátis | (6 aos 17): 2€ | (adultos): 4€

Núcleo Arqueológico do Castelo de São Jorge (só é gratuito para residentes em Lx)
Onde: Rua de Santa Cruz do Castelo
Como chegar: Autocarro 737 | Elétrico 12 e 28
Horário: 1 Nov. a 28 Fev. das 9h às 18h | 1 Mar. a 31 Out. Das 9h às 21h


Museu da Comunicação
Onde: Rua do Instituto Industrial, 16 (santos)

Como chegar: Autocarro: 706, 714, 728, 727, 732, 774, 760 | Elétrico: 15, 18, 25

Horário: 2ª a Sexta das 10h às 18h | Sáb. das 14h às 18h

Preço: 2,5€ normal | 1,25€ estudantes e reformados


Museu Nacional de História Natural e da Ciência
Onde: Rua da Escola Politécnica, 56/58 – Príncipe Real
Como chegar: Autocarro: 758, 773 | Metro: Rato (linha amarela)
Contacto: 213 921 800
Horário: Museu: Terça a Sexta das 10h às 17h | Sáb. e Domingo das 11h às 18h | Encerra às segundas e feriados | Jardim Botânico: Verão (1 Abril a 31 Outubro): 9h às 20h | Inverno (1 Novembro a 31 Março): 9h às 18h | Borboletário: aberto ao público de 21 março a 15 novembro das 10h às 17h
Preço: Museu: adultos – 5€ / famílias 12,50 | Jardim botânico – 2€ / família 5€

Museu da Marioneta
Onde: Convento das Bernardas, Rua da Esperança, 146 (santos)

Como chegar: Autocarro: 706, 713, 714, 727 | Elétrico: 25 | Comboio: Estação de Santos

Horário: 3ª a Dom. das 10h às 13h e das 14h às 18h

Preço: 5€ normal | 3€ estudantes até 25 e reformados


Cinemateca Júnior
Onde: Palácio Foz, Praça dos Restauradores
Como chegar: Autocarro: 709, 711, 732, 736  | Metro: Restauradores (linha azul) ou Rossio (linha verde).
Horário: Público em geral: sessão de cinema aos sábados às 15h00 e atelier para famílias no último sábado de cada mês às 11h00  | Horário da Exposição Permanente de Pré-Cinema (visita livre, todos os públicos): 2ª a 6ª feira, das 10h00 às 17h00; Sábados, das 11h00 às 18h00.
Preço: Crianças (0 aos 16): 1,10€ | (adultos): 3,20€

Casa da Cerca - Almada

Outro dos destinos da 2ªsemana!!!

Aconselho vivamente e é de entrada gratuita com uma vista espetacular e com exposições várias!

 Casa da Cerca

Casa da Cerca

Casa da Cerca

Casa da Cerca

Casa da Cerca

Casa da Cerca

Casa da Cerca

Casa da Cerca

Destralhar e Organizar

Não desapareci... estamos de férias!!!

Na 1ªsemana destralhei toda a casa, está mais livre, mais leve, com mais espaço!

Para além de destralhar organizei e até sobraram parteleiras livres em diversos armários... antes faltava espaço para arrumação!

Só não consegui destralhar e desfazer-me de livros, lãs, agulhas e objetos feitos por mim em cerâmica.

O meu pequenote ajudou.

quinta-feira, agosto 08, 2013

domingo, julho 21, 2013

Sumo Melância+Alface+Cenoura

Ingredientes:

2 fatias de melância
3 folhas de alface
2 cenouras médias
180g de água


Tudo cortado dentro do copo da Bimby vel 9 - 50seg.
Adicionar 180g de água vel.9 - 30seg.
Pronto a beber.

 Sumo Melância + Cenoura + Alface

Melhora a circulação, é diurético e desintoxicante!

quarta-feira, julho 17, 2013

Mini férias...

Noro andShoppel

Visita à FIA. Trouxe comigo um novelo Noro e um Shoppel!!! Lindos...

 e -Leituras

E-Leituras...

QPdos Olivais = Casa das Galinha

E passeios...

"Mamã, vamos à casa das galinhas?"
:)

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QPdos Olivais = Casa das Galinha

 QPdos Olivais = Casa das Galinha

QPdos Olivais = Casa das Galinhas

 QPdos Olivais = Casa das Galinha

QPdos Olivais = Casa das Galinha

in: Quinta Pedagógica dos Olivais