quinta-feira, fevereiro 24, 2011

É urgente um novo homem*

Provavelmente criança
Com garras de leão
Que traga um rosto alegre
Num sorriso sempre jovem
E que irradie amor
Na humildade do coração
Longe desta triste e fátua história
Que se busca no sentido do efémero
De ganâncias, ódios e guerras
Que pelulam noites ébrias
De um horror continuado
Nesta miséria humana
Há que ter força e coragem
Ganhar novos horizontes
Redescobrir novas moradas
Numa ética consciente
Ah! Quem me dera poder ser
Ser tudo e não ser nada
Para ser somente eu
Semente que o vento trouxe
Semente que o vento levou
Entre o antes e agora
Que o longe me encantou
É urgente o amanhecer
A água fresca desta chuva
O vento quando refresca
E ir...
Ir qual cavalo alado
Nas asas do amanhã
É urgente partilhar
O Sol quando aquece
No calor de nos transformar
É preciso deixar a forma que fomos
E ser...
Ser e ousar ser
O que há muito na coragem nos faltou
Ah!Quem me dera a palavra
Ir além dos conflitos
Olhar além do umbigo
Véu narcísico desta queda
E ultrapassar todos os ritos
Gritos que há muito nos sufocam
No ribombar de um canhão
Nos umbrais da escuridão
É urgente um novo homem
Provavelmente criança
Com garras de leão
Na abastança de quem cresce
No império da razão
É urgente um novo homem
Provavelmente leão
Com garras de criança
Que deslize inebriado
Na paixão do coração

*António Fonseca
Crianças de um novo mundo
Isabel Leal

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