domingo, agosto 30, 2015

Mutação

"A vida muda quando já não temos mais nada a aprender com ela"

Matt Kahn

segunda-feira, agosto 24, 2015

Mãos para que vos quero...






































Onde param as agulhasssss???

Arte de tricotar

Embora seja efetivamente uma prática milenar, existem muito poucas evidências sobre quando, onde e como terá surgido a arte de tricotar. No entanto, existem algumas referências antigas e até achados arqueológicos que nos permitem traçar um pouco da longa história e evolução do tricô desde a antiguidade.
Uma das primeiras referências ao tricô que se conhecem é a de Homero na sua famosa obra “Odisseia”, provavelmente datada de finais do século VIII a.C. Num dos episódios, apresenta-nos uma Penélope desgostosa pelo não regresso do seu marido Ulisses, passando o dia a tricotar uma peça que à noite é desfeita, adiando assim a ordem do seu pai para escolher um novo pretendente – o pintor inglês John William Waterhouse mostra-nos esta cena no quadro “Penelope and the Suitors” (“Penélope e os Pretendentes”) de 1912. Avançando no tempo, até ao século XIV, o pintor alemão Mestre Bertram retrata, no seu “Visita do Anjo”, a Virgem Maria tricotando uma camisola.
A arqueologia também ajudou a recuar cada vez mais no tempo a prática da arte de tricotar, embora seja difícil encontrar peças feitas de lã ou algodão por serem materiais perecíveis. Nesse sentido, os exemplares mais antigos que se conhecem datam de 1000 a.C. e trata-se de meias descobertas no Egito com desenhos considerados bastante complexos, o que leva os arqueólogos a acreditarem que a técnica é extremamente antiga, pois para chegar a tal nível de complexidade são precisos muitos anos de tentativas falhadas ou menos perfeitas. Em 1964, uma equipa de arqueólogos liderada pelo explorador norueguês Helge Ingstad e a arqueóloga Anne Stine Ingstad descobriram, em L’Anse aux Meadows, na Terra Nova, província do Canadá, uma agulha de tricô datada de cerca do ano 1000, possível data de fundação da aldeia viking onde foi encontrada.

O que é o tricô?

O tricô pode ser definido como a arte de entrelaçar fio com a ajuda de uma ou duas agulhas de tricotar, dando-se-lhe a forma que se pretender. Essa forma pode ser reta ou redonda e, para este último, recorre-se ao uso de duas agulhas ligadas por um fio forte de nylon. Numa fase inicial, o têxtil utilizado era apenas o algodão, mas com a prática da pastorícia, e posteriormente com o auxílio de máquinas, foi sendo possível utilizar outros materiais, destacando-se a lã, caxemira, angorá e o linho.

A massificação do tricô

Acredita-se que a prática de tricotar terá tido então origem no Egito, embora seja apenas uma teoria baseada nas descobertas aí feitas. É no entanto certo de que o tricô era presença habitual na Europa Medieval, onde a maioria das pessoas vestia lã e linho. Já o dizia Jacques le Goff no seu livro de 1994, “O Homem Medieval”, onde afirma que a época Medieval “é uma época que, mais do que qualquer outra, nos aparece marcada pelas suas brancas roupagens de igrejas (…), tapeçarias, bordados, tecidos de variadas cores e com desenhos singulares (…) ”.
Le Goff também nos diz que as artesãs trabalhavam nas lojas dos maridos e muitas vezes ficavam responsáveis por aquelas depois de estes morrerem. Para a sociedade medieval, era importante manter a mulher ocupada e era o próprio pai que incentivava as filhas a dedicarem-se aos trabalhos manuais. Era também considerada uma mais-valia caso a mulher enviuvasse ou caísse numa situação de pobreza, pois esta atividade tinha uma forte vertente económica, sendo utilizada não só para o uso pessoal da família mas também permitindo obter lucros com a sua venda. Isto sobretudo antes da crise que afetou a Europa no século XIV.
Em 1589, o inglês William Lee inventou a primeira máquina de tricotar, cujos princípios básicos de funcionamento ainda hoje vigoram e foi no século XIX que o uso da máquina de tricô se generalizou em massa, devido à industrialização. Desde então teve uma forte importância durante as guerras mundiais, para vestir soldados e civis.

O tricô nos dias de hoje

Apesar de ter sido ultrapassada por processos mecânicos e industriais, a verdade é que o tricô manual voltou a estar na moda, ora como passatempo, ora como pequeno negócio. Como afirma Joanne Turney no livro “The Culture of Knitting”, existem cada vez mais pessoas que optam por comprar peças únicas e exclusivas tricotadas por um profissional, que podem mesmo atingir valores avultados quanto maior for a técnica e a originalidade. Não existem limites para a imaginação, a arte de tricotar está aperfeiçoada e existem inúmeros tipos de fios e cores que permitem a criação de peças originais e criativas.
O tricô é praticado por lazer ou paixão e já não representa um meio de subsistência, embora possa constituir um lucro extra, pois, tal como na Idade Média, há quem o faça para uso pessoal mas também para venda.
Nas décadas de 60 e 70 do século XX usar peças de tricô era estar na moda e nos dias de hoje não é exceção. Desde as lojas de fast fashion às marcas de moda mais luxuosas, hoje não faltam peças tricotadas em todas as suas coleções, até porque o tricô está efetivamente na moda!

sábado, agosto 22, 2015

.

" Ninguém é de uma raça. As raças são fardas que vestimos
[..].
Mas eu aprendi, tarde demais, que essa farda se cola, às vezes, à alma dos homens. "
in: Mia Couto

Amores prefeitos...


































...aos molhos!!!

segunda-feira, agosto 17, 2015

Lindas!!!

















Olha que coisa mais linda mais cheia de graça....

sábado, agosto 15, 2015

Gratidão


Meada #20 #21 #22















#20 e #21















#22

100% Lã Portuguesa
Tingidas à mão

Antídoto

“Quando vires os teus olhos a verem-te, quando não souberes se tu és tu ou se o teu reflexo no espelho és tu, quando não conseguires distinguir-te de ti, olha para o fundo dessa pessoa que és e imagina o que aconteceria se todos soubessem aquilo que só tu sabes sobre ti.”

José Luís Peixoto, in "Antídoto"

terça-feira, agosto 11, 2015

Nada mais acertado....






















...neste momento da minha Vida. :)

Meada #11 e #12



































Não me canso de olhar para elas.... e de continuar a experimentar!

5ª e 6ªf chegam mais!

segunda-feira, agosto 10, 2015

Meadas



















Meada#10 (VENDIDA)
100% Lã Portuguesa
Aproximadamente 125g = +-200m
Agulhas aconselhadas 4,5/5

quarta-feira, agosto 05, 2015

Soltar, soltar....

"(...) Refastelada na poltrona com Cleo, tive vontade de sentir lã a deslizar novamente entre os dedos. A delicadeza de teia de aranha das roupas de bebé estava além da minha capacidade, por isso, comprei três novelos de lã azul (grossa) e umas agulhas grossas e comecei a fazer um cachecol simples para Rob.

O ritmo do clique das agulhas é tranquilizador, como o bater de um coração. Como um único fio de lã pode ser entrelaçado para criar uma peça de roupa tridimensional é um mistério quase tão grande como pensar que um aglomerado de células se multiplica para fazer um bebé.

Tricotar e gravidez têm muito em comum. Ambas as coisas parecem acontecer facilmente, contudo exigem paciência, fé no futuro e dedicação ao melhor resultado possível.
Tal como uma grávida, ver uma mulher a tricotar é estranho para quem não compreende o milagre da criação. Os cotovelos projetam-se para fora como asas deformadas, a lã arrasta-se pelo chão, aparentemente ao acaso. A mulher que tricota está demasiado concentrada para se preocupar com as aparências. Embora possa parecer desmazelada, nunca podem acusá-la de preguiça. Quem trabalha com agulhas está envolvida em algo maior do que ela - um ato de criação. Num mundo mais mais respeitoso, quem tricota nunca seria interrompida. Contudo, a artesã está habituada a afrontas. Pára a meio de uma carreira, correndo o risco de deixar cair uma malha, para atender o telefone ou abrir uma porta, sem se queixar.

Cada ponto é um passo na viagem para uma camisola nova, possivelmente uma vida nova.Quando a peça está terminada, ao fim de um mês ou seis, quem fez será uma pessoa diferente. E não apenas porque o tempo passou - mas porque acrescentou algo ao mundo.

Cada ponto é completo em si próprio, apesar de estar ligado a pontos passados e futuros. Enquanto enrolava a lã às agulhas para formar cada ponto, pensava em Sam e rematava gentilmente.

Cruzar agulhas, puxar a lã, soltar.... cruzar agulhas, puxar a lã soltar... Se eu praticasse isto dez mil vezes, ou um milhão, talvez a minha alma fizesse o mesmo. Soltar, soltar....(...)"
 

in Cleo, Helen Brown